Uma das maiores surpresas para muitos pacientes acontece no final da consulta.
Depois de uma conversa detalhada, de uma avaliação cuidada e de responder a todas as dúvidas, a minha recomendação pode ser simplesmente esta:
“Neste momento, não considero que a cirurgia seja a melhor opção.”
Para algumas pessoas, esta resposta é inesperada. Afinal, marcaram uma consulta porque acreditavam que a cirurgia seria a solução para aquilo que as incomodava.
Mas a medicina não deve partir da pergunta “o que posso fazer?”. Deve começar por outra, muito mais importante:
“O que faz realmente sentido para esta pessoa?”
Cada paciente é único
Duas pessoas podem ter a mesma idade, apresentar queixas semelhantes e, ainda assim, precisar de abordagens completamente diferentes.
A qualidade da pele, a anatomia, os hábitos de vida, o historial clínico e as expectativas influenciam qualquer decisão.
Por isso, não existem soluções universais.
O que resulta para uma pessoa pode não ser a melhor opção para outra.
Nem sempre a cirurgia é a resposta
Existem situações em que um tratamento menos invasivo pode proporcionar um excelente resultado.
Noutras, a melhor decisão pode ser adiar qualquer intervenção e acompanhar a evolução ao longo do tempo.
Também existem casos em que as expectativas não correspondem ao que a cirurgia consegue oferecer. Nestas situações, a honestidade é essencial.
Prefiro explicar claramente os limites de um procedimento do que criar expectativas irrealistas.
A relação entre médico e paciente deve assentar na confiança.
Isso significa ouvir, esclarecer, responder às dúvidas e apresentar todas as opções disponíveis — incluindo a possibilidade de não realizar qualquer procedimento.
Dizer “não” quando necessário não é uma falta de disponibilidade para ajudar.
É uma demonstração de responsabilidade.
Ao longo de mais de 25 anos de experiência, uma convicção manteve-se inalterada: a melhor medicina estética é aquela que respeita a identidade de cada pessoa.
O objetivo não é criar um rosto diferente nem seguir tendências passageiras.
É preservar a expressão, valorizar as características individuais e alcançar resultados naturais, equilibrados e seguros.
A consulta é o primeiro passo
Muitas pessoas acreditam que a consulta serve apenas para marcar uma cirurgia.
Na realidade, é o momento mais importante de todo o processo.
É durante essa conversa que compreendemos as suas motivações, avaliamos as suas necessidades e definimos, em conjunto, o caminho mais adequado.
Por vezes, esse caminho passa por uma cirurgia.
Outras vezes, passa por um tratamento diferente.
E, em alguns casos, passa simplesmente por esperar.
Porque cuidar também é saber quando não intervir.
Essa é a responsabilidade que assumo em cada consulta e o compromisso que mantenho com todos os pacientes que depositam em mim a sua confiança.